17.07 FEBRAPSI participará em Florianópolis de mais uma jornada com o tema “Destinos do Traumático”.

Os Destinos do Traumático – uma questão para o nosso tempo

 A ansiedade é a reação original ao desamparo no trauma, sendo reproduzida depois da situação de perigo como sinal em busca de ajuda. O eu, que experimentou o trauma passivamente, agora repete ativamente, em versão enfraquecida, na esperança de ser ele próprio capaz de dirigir seu curso (Freud, 1926). 

 

Santa Catarina, Florianópolis, 23 e 24 de agosto de 2019. Nesta ocasião a FEBRAPSI, o NUPSC e a SPPA promoverão uma atividade conjunta – Destinos do Traumático. Esse encontro visa fazer trabalhar as várias facetas do traumático, do constitutivo ao psicopatológico, tomando por sinalizador o mal-estar da nossa contemporaneidade – cultura do excesso.

Traumas que tem no fator intensidade, o econômico, o seu elemento determinante, na sua intima relação com o desamparo de nossas origens (Hilflosigkeit). Este que é considerado por Freud (1926) o protótipo da situação traumática, que pode se manifestar em versão enfraquecida, pelo trabalho psíquico. Na angustia sinal ou, de maneira intempestiva, na angustia automática. O traumático do pulsional, desgarrado, se presentifica. Contexto que nos convida a refletir sobre as inscrições psíquicas e suas potencialidades de transformações. Com tradução e/ou sem tradução? Condições que põem em cena a necessidade de inquerir a temporalidade freudiana do après-coup (Nachträglich). Desdobramentos no processo de viabilizar a recriação de novos significados – território das representações – versus a temporalidade sem tempo das “inscrições sem tradução” – território do irrepresentável.

Eis alguns enigmas que convocam a interlocução: tempo de rever a dinâmica do per via di porre e do per via di levare (Freud, 1904). A compulsão a repetição do além do principio do prazer, o não prazeroso, reescrevendo a historia clinica e social do traumático.

Desafio que convoca a psicanálise a pensar no trabalho do analista na clínica contemporânea. Visando exercitar uma escuta interrogativa e problematizando nossas interversões, trabalharemos os traumas da sexualidade infantil no adulto, na criança e no adolescente, procurando fazer uma interação entre a teoria, a clínica e o meio cultural.

Aguardamos você para esse desafio! Na expectativa de fazermos do traumático ponto de mutação – o disruptivo – para ampliar nossas potencialidades, de transformar o mal-estar decorrente das intensidades que nos assolam.

 

Ignácio A. Paim Filho

Diretor científico da FEBRAPSI 

 

Regina Klarmann

Secretaria da diretória científica da FEBRAPSI

 

Acompanhe a programação: 

http://www.sppa.org.br/agenda/save-the-date-destinos-do-traumatico-em-florianopolis