12.11.18 Observatório Psicanalítico – 72/2018

Ensaios sobre acontecimentos sociais, culturais e políticos do Brasil e do mundo.

E agora o quê?

Leonardo A. Francischelli (SBPdePA)

Em lugar de armar a cidadania, acreditamos que o melhor seria des-armar os espíritos carregados de ódios. Armar a fátria em lugar de dissolve-la.

Pensamos que o melhor caminho seria uma ampla anistia para todos os que exerceram o direito ao voto. Cada qual fez a sua escolha. Isso não pode ser enxovalhado.

Além do que, precisamos observar e acatar os resultados auferidos em um processo eleitoral. Sempre e quando o processo apresenta livre escolha. Não devemos admitir que só é bom quando meu time ganha.

A arte e a beleza da democracia se materializam ao festejarmos quando ganhamos, mas que se possa reconhecer a vitória do outro quando somos derrotados. Por isso a ideia da anistia. Ela é um mundo de alteridades.

Armar os espíritos, sim; fortalece-los, sim, para a liberdade de pensamento. Impor ao outro sua forma de pensar é a violência posta em prática. É a morte da subjetividade.

E também não é a hora de desarmar a atividade política, ao contrário, mais do que nunca é preciso praticá-la.

A função política é imprescindível para o exercício de uma vigilância democrática. A democracia não vive de palavras vazias. Ela cresce e cria músculos com as palavras cheias.

São tempos de inquietudes e interrogantes. Não vamos enterrar nossas cabeças como fazem os avestruzes para não tomar conhecimento do mundo da político e das relações sociais.

Nosso imaginário social está muito expectante e apreensivo diante das mudanças e processos que a nova administração do país colocará em cena. Não querermos roubar dos futurologista seu ofício, contudo seria previsível avançar a ideia de que a Articulação terá muita dor de cabeça pela frente.

Arriscamos avançar nessa direção justamente por ser ali, na Articulação, um lugar próprio em defesa da livre circulação das ideias, tão cara à psicanálise. Pois, não ignoramos que ela, a psicanálise, não respira sem liberdade.

Somos seres políticos, já disseram os gregos. Portanto, faremos disso nosso instrumento de uma prática democrática, onde todos serão bem-vindos.

A democracia é o bem maior de um povo. Sem ela a vida perde o charme de ser vivida. Vamos cuidar dela?

(Os textos publicados são de responsabilidade de seus autores).